Em síntese: Uma loja de pesquisas tem por objetivo o que o seu próprio nome induz: Pesquisar. São palavras-chaves identificadas ao longo das pesquisas realizadas: Pesquisar, documentar, compartilhar.

Outro ponto comum identificado nas pesquisas, é que por via de regra, a loja é composta somente de Mestres Maçons. Excluem desta terminologia os chamados “Graus Superiores”, sendo entendido para todos os fins que o “Grau” máximo é o de Mestre, sendo os demais graus somente podem ser conferidos ao Mestre Maçom, que contempla a plenitude nos graus simbólicos.
Conforme consta no sítio na rede mundial de computadores do Supremo Conselho do Grau 33 dos Estados Unidos, na página “Freemasonry Q & A: What is a Research Lodge?” podemos destacar:
A research lodge exists for the purpose of encouraging the exploration of the history and philosophy of Freemasonry through the preparation and presentation of research papers. In America, there is usually only one research lodge in a grand jurisdiction, and it meets less often than regular lodges, perhaps only 2–4 times a year, with little or no ritual other than the opening and closing ceremonies.
Observamos que o propósito é pesquisar a história e filosofia da maçonaria através da apresentação de trabalhos, reunindo-se de 2 a 4 vezes no ano com um ritual mínimo prevendo somente a abertura e fechamento dos trabalhos.
Destaca o texto que a primeira loja de pesquisas foi a Quatuor Coronati Lodge No. 2076, fundada em Londres em 1884 com o objetivo de estudar a história da Maçonaria e realizar pesquisas no âmbito da franco-maçonaria. Destaca quatro lojas de pesquisas Quatuor Coronati Lodge, North Carolina Lodge of Research, American Lodge of Research, and Scottish Rite Research Society.
No sítio da Província de Middlesex vinculada ao Grande Loja Unida da Inglaterra, em artigo de nome similar “What is a Research Lodge ?”, encontramos a seguinte definição:
A Research Lodge is what it says on the label. A Lodge dedicated to Masonic research. It is established in the same way as any other Lodge, it has a Charter from the Grand Lodge under whose jurisdiction it falls, is consecrated in the usual way, and has the same Officers as any other Lodge.
Novamente observamos que o objetivo é a pesquisa e produção de documentos relacionados ao âmbito da maçonaria.
Há um relevante destaque que merece ser observado, em razão das normativas da Grande Loja local que impõe que toda loja deve ser “apta” a realizar iniciações para ser considerada regular. Para tanto, sob aquela jurisdição, para evitar que hajam iniciações em tais lojas, são fixados taxas de iniciação elevadíssimas, citando como exemplo a Temple of Athene onde a taxa de iniciação é de £2,500 (duas mil e quinhentas libras esterlinas), que a taxa de câmbio na data da elaboração desse documento alcança o valor de R$ 19.406,23 (dezenove mil, quatrocentos e seis reais e vinte e três centavos).
Discorre o texto sobre a existência lojas de pesquisas ao longo do mundo, uma recomendação per capita para a distribuição de lojas de pesquisas. Aponta a existência de 11 lojas de pesquisas na Inglaterra e Escócia, sendo a mais antiga a Quatuor Coronati Lodge, No. 2076, fundada em 1886 e a mais recente a Felix, No. 355. Province of Aberdeenshire West, consagrada em 1997.
Ressalta a ritualística mínima e seu propósito de ser um espaço de encontros e conversas sobre qualquer assunto maçônico, podendo incluir palestras históricas sobre maçons proeminentes, a história da Arte, etc.Sobre a jurisdição da Grande Loja de Nova York, encontramos a The American Lodge of Research (The ALR) que em seu sítio na seção “Sobre Nós” expõe:
The American Lodge of Research (The ALR) is a research lodge under the Grand Lodge of New York comprised of members from around the world. Its members are dedicated to researching, documenting and sharing insights concerning Freemasonry using an evidenced-based approach with a goal of inspiring those who are interested in learning more about the oldest fraternity in the world.
Novamente destacamos as palavras-chaves: pesquisas, documentação e compartilhamento, como sendo os objetivos primários da loja específica. Salienta, como as demais, que o acesso a essa loja é exclusiva a Mestres Maçons da potência ou reconhecidas por ela. Igualmente, cita a Quatuor Coronati Lodge, No. 2076 como loja de exemplo, uma vez que foi a primeira fundada com tal fim.
No território nacional, vinculado ao Grande Oriente do Brasil temos a Loja de Pesquisa Maçônica “Brasil Central” 2676, Oriente de Goiânia, fundada em 1992, que pratica o Rito de York (Emulação), porém na internet não foi possível identificar se realiza trabalho de pesquisas, sendo disponível no portal do GOB-GO somente a oficina funciona nas 1ª e 3ª segundas-feiras, ou seja, reuniões quinzenais. Tal frequência destoa do verificado nos exemplos externos.
Sob jurisdição da Grande Loja de Minas Gerais, foi possível localizar a Loja de Pesquisas “QUATUOR CORONATI” PEDRO CAMPOS DE MIRANDA, fundada em 22 de outubro de 2007, sendo possível consultar o Regimento Interno da referida no sítio da instituição.
Em seu preâmbulo destacamos o seguinte:
Do Art. 4º do seu Regimento Interno voltamos a identificar os elementos chaves repisados ao longo do presente texto:
E seguindo os exemplos anteriores, permite acesso somente a Mestres Maçons e coloca condições para a sua participação como: presença de 60% (sessenta por cento) das sessões durante um ano a contar da primeira participação, a apresentação de no mínimo trabalho, pesquisa ou projeto do interesse da maçonaria. Quando somente após poderá integrar os quadros da loja de pesquisas.
A realização das reuniões são em períodos específicos do ano:
Embora confusa, observa-se que há uma previsão de realização de sessões ritualísticas, observando o rito especial da loja, provavelmente desenvolvidos para tal fim.
Por fim, um destaque importante:
Tal destaque reforça a tese de que uma loja de pesquisas é uma loja por nomenclatura, mas não se sustenta como loja simbólica.
O Grande Oriente do Rio Grande do Sul, em seu sítio na rede mundial de computadores traz a notícia da de título 1ª Loja de Pesquisas do GORGS comemora 26 anos onde destacam ser a “(…)1ª Loja dedicada exclusivamente ao estudo e pesquisas maçônicas do Grande Oriente do Rio Grande do Sul(…)”. Sobre suas características e frequência de reuniões, destaca:
Um Loja de Pesquisa é uma Oficina consagrada exclusivamente ao estudo e a pesquisa de assuntos maçônicos e seu quadro é constituído apenas por Mestres-Maçons regulares e ativos em outras Lojas Simbólicas.
A Loja realiza suas reuniões no 3° sábado de cada mês, às 10h, no Centro Templário do GORGS (Av. Aureliano de Figueiredo Pinto, 945), em Porto Alegre.
Mesmo não conseguindo maiores informações nas pesquisas realizadas sobre a loja em estudo, a matéria publicada no sítio permite observar que as características de tal loja é semelhante às demais, ou seja, acesso somente a mestres, reuniões em períodos mais esporádicos, finalidade de pesquisas e apresentação de trabalhos, compostos de membros vinculados a outras lojas simbólicas.
Por fim, nossa pesquisa nos levou ao sítio do renomado irmão Kennyo Ismail que publicou matéria intitulada de “Uma Loja de Pesquisas para todos os brasileiros” discorrendo sobre as características de uma loja de pesquisas e, em especial, da Loja de Pesquisas “Dom Bosco” #33, filiada à GLMDF.
Iniciamos a leitura da matéria com o seguinte destaque:
A “Quatuor Coronati” foi a primeira Loja de Pesquisas do mundo, fundada em 1884. A intenção dos fundadores era a de fomentar o estudo e pesquisa maçônicos baseados em evidência, em detrimento das narrativas imaginativas que vigoravam a época. Inauguraram assim a chamada “escola autêntica”. No Brasil, pela deficiência literária maçônica, a “escola” achista, místico-esotérica e imaginativa ainda tem prevalecido, somente enfrentando resistência e concorrência de uma pequena, porém crescente e otimista versão brasileira da escola autêntica, nos últimos anos.
Resume o funcionamento da loja paradigma da seguinte forma:
O funcionamento da Quatuor Coronati, basicamente o mesmo há aproximadamente 130 anos, centra-se em seu círculo de membros correspondentes, que submetem o resultado de seus estudos e pesquisas à Loja. Os aprovados, assim como de seus membros internos, são publicados na AQC – Ars Quatuor Coronatorum – seu anuário. Com uma anuidade equivalente a mais de R$200, a Quatuor Coronati soma milhares de membros correspondentes em todo o mundo
Em seu texto, o escritor Kennyo Ismael, traz uma crítica quanto a existência de diversas lojas de pesquisas que não atuam como a exemplo da loja paradigma:
A proposta de Lojas de Pesquisas como estímulo ao estudo, pesquisa, produção, repositório e divulgação de conhecimento maçônico de qualidade se espalhou pelo mundo, tendo essas Lojas um funcionamento muito similar ao da boa e velha QC. O Brasil também conta com dezenas dessas Lojas de Pesquisas. Entretanto, com raríssimas exceções, essas Lojas têm funcionado não muito diferente de qualquer outra Loja Maçônica, talvez apenas tendo mais palestras do que o normal, pelo benefício da dispensa de realizar iniciações e, consequentemente, ausência de escrutínios, instruções, etc.
Novamente vemos as palavras-chaves identificadas como centrais em uma loja de pesquisas, usando o modelo proposto pela primeira loja do tipo.
Já na página da A Loja de Pesquisas “Dom Bosco” #33, na aba “Sobre” possuam as informações trazidas no artigo do irmão Kennyo, podendo destacar que a mesma está “abrindo suas portas a todos os irmãos regulares interessados na cultura, estudo e pesquisa maçônicas,”.
Do exposto acima é possível concluir que uma loja de pesquisas é definida por algumas características, podendo definir a presente loja sob tais características:
- Finalidade: Pesquisa, documentação através de produção de artigos e trabalhos, visando a divulgação e compartilhamento de assuntos de interesse da Franco-Maçonaria;
- Ritualística: Ritual próprio, com o mínimo necessário para a abertura e encerramento dos trabalhos. Considerando a ritualística atual aprovada para o Rito de York, que possuía abertura e fechamentos abreviados, bem como os demais procedimentos como opcionais, até a elaboração e desenvolvimento de uma versão específica para a loja de pesquisas, aconselha-se a utilização do mesmo;
- Membros: A princípio, qualquer Mestre Maçom em dia com suas obrigações e regularmente vinculado a uma loja simbólica. Porém, deve-se considerar que aprendizes e companheiros também apresentam trabalhos em suas oficinas, desta forma, respeitando as limitações das discursões, não se verifica motivos para limitar a presença dos mesmos;
- Frequência: Reuniões presenciais mensais, para a prática simbólica e sem limites para os demias tipos de reuniões;
- Metais: Custeado pelos memobros do quadro ou anuidade em valor suficiente para o mínimo de atividade para os membros filiados, seja da própria potência ou de potências reconhecidas e que possuam tratados de mútuo reconhecimento e amizade, além de doações;
- Nome Distintivo: Não é obrigatório ter em seu nome distintivo a palavra Pesquisas, porém, considerando que a loja simbólica ostenta esse nome distintivo, não há motivos para suprimir o mesmo.
Como visto acima, uma loja de pesquisas possue características próprias, com objetivo primário realziar pesquisas e estudos, propiciando mais luz na maçonaria.
